"Sabe o que seria bom? Fazer o exercício de re-conceituar o que é felicidade e riqueza. Certamente felicidade e riqueza não são contadas em forma de roupa, de bolsa, de carro, de nada material, já sabemos. Mas como é possível se desprender dos impulsos de comprar pra se sentir mais feliz ou mais rica?

   A gente acredita que autoconhecimento pode ser um caminho, e que esse caminho pode render transformações individuais — que por sua vez podem transformar coletivamente. E autoconhecimento a gente exercita de vários jeitos: ao se observar, ao pensar a respeito das coisas (alô opinião), ao estar disponível e exposta a todo tipo de arte e acontecimento pra então perceber, reagir, fazer acontecer cada uma do seu jeito, ao identificar felicidades e infelicidades, ao enumerar o que é importante pra gente.

   Quem tem uma base de valores clara e bem definida, exercitada, e quem adquire o hábito de formar opinião (porque né, demanda reflexão, tempo, conversas, etc etc etc) tende a se descolar do consumo por impulso por saber que o buraco é mais embaixo — ou, na verdade, por saber de que buracos tem que cuidar! Compra não gera conforto, cuidar de cada buraco que se tem é o que conforta de verdade. Tentar tapar o buraco com compra certamente gera desperdício, e na sociedade em que a gente tá inserida todo desperdício gera (ainda mais) desigualdade. Quem se conhece não compra por estímulo externo ou por influência vazia, mas sim compra por vontade autêntica e consciente, por necessidade, pra si mesma (e não pros outros!).

   Vale pensar que a gente não precisa de 6 camisetas baratinhas, mas que com 2 outras boas (pelo valor dessas 6) a gente se viraria super bem — e ainda exercitaria criatividade, capacidade de versatilização. Quantidade não ajuda ninguém: nem a gente mesma, nem o mundo em que a gente vive… e inteligente, hoje, é a gente escolher o que é durável, o que tem qualidade suficiente pra acompanhar a gente por mais tempo que duas ou três lavadas apenas. Gastar mais comprando menos — e valor justo a ser pago em roupas e acessórios é de avaliação pessoal, cada uma de nós tem uma demanda, um orçamento.

   Consumir com consciência é diferente de não comprar nada — ao mesmo tempo, consumir coisas não aumenta felicidade de ninguém. Para um segundo e pensa: o que falta hoje na sua vida? Como você se sentiria plenamente realizada? Entendeu? É isso!
   Gostaram do texto? Ele é de autoria da Fernanda Resende
Beijos de salto, Rafa.


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