Fica, vai ter ‪#‎textão‬! Não, eu não sou o que vocês chamam de "feminazi" (estereótipo negativo atribuído a quem defende a causa feminina). Eu, simplesmente, sou uma mulher que não gosta de "certas" – para não dizer várias - situações/falas que predominam nesse mundo e que reclamará, sempre. "Não é à toa" que eu reclamo; eu nasci assim; eu me tornei advogada.

   Antes de eu contar duas situações absurdas das quais tomei conhecimento, vou fazer um “pequeno” introito: sou, absolutamente, apaixonada por moda e minha paixão se estende, de igual forma, a vestidos de noiva. Eu gosto de ver os tecidos, os formatos e tudo que está ligado ao tema. Sabe aqueles programas ruins sobre casamento, do Discovery Home & Health? Pois é, eu os assisto com aquela dublagem medonha (porque aqui não tem legendado). Assisto, tão somente, porque amo ver os estilos dos vestidos de noiva.

   Pois bem, outro dia, eu estava cortando meu cabelo num salão (no qual normalmente não faço cortes) e mencionei que não uso minha franja (para frente) no meu local de trabalho, pois, as pessoas, erroneamente, atribuem jovialidade com inexperiência profissional. Para minha surpresa, a pessoa que estava conversando comigo falou: você aparenta jovialidade. Você é engraçada; parece ser inteligente...só falta casar. Por uma fração de segundos, decidi que seria de bom tom não dar uma resposta (textão de facebook). Fiquei quieta e nesse mesmo espaço de tempo, a pessoa me respondeu: se bem que casar não é sinônimo de felicidade.


   Ora, por que ensinamos as meninas a quererem se casar e não os homens? Alguém faz esse tipo de comentário para homens? Duvido muito.
Em 2016, mesmo que você seja uma super mega power uber profissional, as mídias e, em consequência disso, as pessoas refletem e deixam cada vez mais explícito que você não estará, totalmente, satisfeita com sua vida até encontrar um homem...porque se você é uma “revoltada”, é falta de pica, não é mesmo? Os relacionamentos de Taylor Swift deram todos “errados” porque a culpa é dela; ela é o problema. Aprendemos: a culpa é sempre da mulher.

   Pois bem, noutro dia, eu estava em uma clínica (daqui da cidade), esperando para fazer uns exames, quando “de repente, não mais do que de repente”, resolvi ler o conteúdo das revistas que ficaram agrupadas lá, nesses tipos de estabelecimentos. Encontrei uma dessas revistas de “moda” cujo objeto, em específico, era sobre noivas. Opa, legal. Vamos ver alguns vestidos de noivas. Quase tive uma síncope nos primeiros dois parágrafos da “coluna” ... e não era porque tinham erros ortográficos na matéria. Nem tinham erros desse tipo, em verdade. Para o meu espanto, encontrei uma matéria absolutamente grosseira, machista, patriarcal e ainda, homofóbica. Era quase um “como manter um homem a qualquer custo” ou “como obrigar alguém a te pedir em casamento porque você precisa (mesmo) disso” e “se ele não aceitar é porque ele é gay”, em pleno 2016. A revista da qual eu fiz menção tinha uma coluna na qual haviam “dicas” para fazer com que seu namorado/noivo te peça em casamento.

   E eu sei que revistas são pagas por marcas/prestadores de serviços, os quais tentarão vender os produtos dos anunciantes lá inseridos, mas por favor, parem de veicular esse tipo de matéria!!!! Eu tenho 36 anos e consigo discernir e quem não consegue? Já é difícil lidar com parentes que pensam assim e as revistas que deveriam promover uma nova maneira de pensar, só repetem os mesmos “paradigmas”. Hey, não seja mais uma “frustrada” porque você não é mãe/casada/magra!
   Eu não preciso ser casada. Não preciso obrigar alguém a se casar comigo. Eu não preciso ser mãe. Eu não preciso ser magra. Eu só preciso ser o que eu quero!!! E, nesse momento, não quero ler matérias assim.


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